Ainda não

Seguiam o trilho para norte, atrás do Morg. O rasto do cavalo era fácil de seguir, as marcas dos cascos fortemente enterradas na terra, como se o cavalo levasse um grande peso. “Coitado do meu cavalo, levar um ogre em cima…”, queixara-se Myeva, desolada com o destino da sua bela montada, o warhorse Brang.

Segundo o orc que capturaram, que fora morto subita e friamente pelo ex-humano clérigo Galdoban (ou o raio como ele se chama), o ogre seguira para umas ruínas a norte, em busca de aliados para derrotar o grupo… e não fora só isso que ele contara, informações que pesavam na mente de Myeva, importunando-a como uma pedra no sapato. Mas não por muito tempo… Parados mais à frente no trilho largo, estavam o ogre, o chato do gnomo, e mais dois ogres amigos (deles!). E não só, o ogre montava o “Meu cavalo”, pensou Myeva. Tinha sido aumentado, e estava enorme!

Morg desapareceu, o elfo tinha sempre truques na manga. Lanarien começou a despejar explosões mágicas, Myeva desmontou, assustou o cavalo com uma cacetada, para ele fugir para o bosque e aguardou com o machado pronto a carga do ogre … que não chegou. Os outros ogres sucumbiram à magia de Lanarien, mas o “grande” não, aproximou-se e à distância de um passo atingiu Myeva com a sua grande espada flamejante.

O gnomo também tinha a sua manga cheia de truques e lançou-as sobre o grupo na forma de pirotecnia mágica. As coisas não estavam a correr bem, os golpes de Myeva não acertavam no ogre, os feitiços de Lanarien não lhe causavam danos, Ravhin tinha dificuldades em aproximar-se, e o escudo mágico que Rafa colocara em Myeva só contribuiu para deitar o anão ao chão rapidamente. E Myeva, com ferida sobre ferida, seguiu-o pouco depois, tombando por fim. Seria o fim? Não, ainda não. O sangue corre quente nas suas veias, um desgraçado de um ogre não seria capaz de a derrotar… assim. Nova vitalidade percorreu-a para a segunda ronda.

O ogre batia forte, e a sua armadura protegia-o dos ataques menos concentrados de Myeva, menos fortes de Rahvin, menos … mágicos… de Lanarien. E enquanto Morg brincava às escondidas e ao toca e foge com o escorregadio gnomo, um golpe atingiu Myeva brutamente e ela tornou a tombar.

O mundo ficou turvo à sua volta, os sons da batalha distantes até ficar tudo em silêncio. Myeva estava de pé num mundo negro, de contornos brancos, em que o céu era de laranjas e vermelhos, fogo e sangue. Uma figura, orc, mulher, estava à sua frente. Atrás dela havia vultos, homens e mulheres, mais orcs. Era um rosto familiar a Myeva… como era a sua voz quando falou:
– Estás pronta para te juntares aos teus antepassados, Myeva?
Um surto de calor percorreu-lhe o corpo, o som de espada contra armadura voltou, e a voz de um anão entoando palavras estranhas invadiu-lhe a mente.
Myeva olhou a figura com convicção. – Ainda não.
A figura sorriu-lhe em resposta: – Sabes o que tens a fazer.

Myeva acordou! Estava coberta de sangue, deitada no chão aos pés do ogre, também ele ensanguentado. Ravhin estava do tamanho do seu adversário brandindo a sua grande grande espada, e Morg tentava encontrar pontos fracos na armadura do seu inimigo. E conseguiu. Um golpe fatal e a besta caíu, finalmente.

5 comentários

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5 responses to “Ainda não

  1. *clap* *clap* *clap* *clap* *clap* *clap*

    Belo ! Definitivamente belo😛

  2. demonknight

    Muito Muito Bom! Mesmo mesmo mesmo mesmo!

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