Myeva, a Rechonchuda

O chão tremeu novamente por baixo dos pés de Myeva. Era como se a excitação antes da batalha passasse da Barbarian Orc para a terra, e contagiasse todas as pessoas na arena que gritavam e apupavam pelo nome do seu favorito. Myeva estava no centro do campo de batalha, e observava os seus adversários, cada um no seu canto. Havia uma enorme criatura feita de sangue, já conhecida da Orc, que seria complicada de matar, havia outro orc, com apenas um olho, de tamanho aumentado tal como Myeva. Do lado oposto, um minotauro azul e um bicho vermelho com cara de sapo, que Morg chamara de Slaad.

Sangue pulsou de raiva pelas suas veias ao ocorrer-lhe o nome de Morg. O estúpido elfo/anão era o responsável por ser conhecida como a Rechonchuda no torneio, e ela odiava-o por isso, tentando congeminar uma vingança apropriada… espancá-lo ao murro com Spiked Gauntlets parecia ser a ideia vecedora. Mas isso ficaria para mais tarde. Tinha de pôr toda a sua mente e força neste combate, ou seria o seu último…
Os seus companheiros olhavam das bancadas. Tinham ajudado como podiam, Lanarian e Himo deram-lhe velocidade e destreza, Rafa e o seu amigo, carinhosamente apelidado de Tony, deram-lhe força, resistência e a benção do seu deus. Se perdesse, eles também perderiam…
O céu estava ameaçador e terrivelmente cinzento, parecendo que iria desabar sobre a sua cabeça… o que não estava muito longe da verdade. Dentro de algumas horas uma montanha de fogo cairía sobre a cidade, punindo a arrogância do King Priest que nessa altura estaria a exigir que os deuses o tornassem um deus também. Milhares de pessoas iam morrer. A cidade de Istar seria apagada do mapa. E por isso era importante não estar aqui quando isso acontecesse. E para isso era preciso ganhar o combate.
Antes que Myeva tivesse tempo para reagir, a criatura de sangue avançou para ela, atingindo-a violentamente no peito e cobrindo-a com sangue viscoso, abrindo feridas que misturavam o seu sangue com o da criatura. O golpe foi tão forte que Myeva receou que a batalha viesse a ser demasiado curta… os outros combatentes avançaram, o orc-zarolho atacou o bicho de sangue, o minotauro aproveito a posição fragilizada de Myeva para lhe desferir uma martelada. E o Slaad juntou-se ao Battle Royale. Por um momento, todos se juntaram contra a gigantesca criatura de sangue. Golpe após golpe, ela foi ficando mais fraca mas antes ainda tombou o orc-zarolho. Myeva murmurou baixinho: “Que Gruumsh tome a tua alma… ou como raio se chama o deus dos orcs neste mundo…”. Distraída, Myeva acabou por falhar um golpe, caindo no chão atordoada, mas viu o gigante de sangue cair e banhar os sobreviventes com o seu fétido líquido vermelho. Slaad e minotauro prenderam a sua atenção um para o outro, mas o minotauro foi o mais forte. Myeva, mesmo do chão, agarrou no seu machado, e investiu contra o minotauro azul. Podem pensar que não é fácil usar um Great Axe do chão eficazmente, não é, mas é para isso que servem os calcanhares: alvos. E Myeva já há muito que aprendera a lutar desta posição desfavorável.
E uma, duas, três machadadas certeiras fizeram tombar o grande minotauro.
Myeva levantou-se, coberta de sangue, terra e suor, erguendo os braços à multidão. Yeeeeaaaahh!!! E a multidão gritava “Rechonchuda! Rechonchuda!”. Grrrrrr!!!! “Vou pintar-lhe a barba de azul”, conspirou a orc.
Após um banho meio forçado, Myeva foi levada à presença do King Priest, acompanhada pelo seu “amo” Morg. E foi-lhes entregue o cinto de campeão, onde brilhava, dourada, a última peça do artefacto.
Agruparam-se com os restantes companheiros, usaram o seu anel de teleport para chegarem rápida e seguramente à loja do Kender que os enganara/contratara a vir para este mundo e coleccionar 5 medalhões ornamentados com dragões para quebrar a maldição que os deuses lhe tinham lançado: viver a destruição da cidade vezes e vezes sem conta (levando à morte de inúmeros grupos de aventureiros). O medalhão de latão fora regateado de um vendedor de rua no mercado; o medalhão de cobre fora retirado da jaula no mercado de escravos durante a confusão causada por uma ilusão de um dragão vermelho; o medalhão de bronze estava nas bolsas de um Kender, na prisão da cidade; o medalhão de prata era guardado por Vrocks, no pequeno bosque que rodeia a torre de feiticeiros; e finalmente, o de ouro, guardado no templo dos deuses, entregue a Myeva por ganhar o torneio na arena.
O kender agarrou nos cinco medalhões e combinou-os para formar uma caixinha. Formou uma prece ao seu deus, Paladine e a porta abriu-se.
O chão tremia, Morg agarrou em tudo o que lhe pareceu valioso e conseguiu agarrar e desapareceram pela porta. O kender ficou, esperando a morte que chegaria finalmente.
Pouco depois, o King Priest ergueria a sua voz aos deuses, exigindo tornar-se um deles, e receberia a sua quente e destrutiva resposta.
E nos livros de história de Krynn escritos por Astinus, na grande biblioteca de Palanthas, ficará registado para todo o sempre (bem, enquanto a biblioteca existir), que o último campeão da arena de Istar, foi Myeva, a Rechonchuda.

2 comentários

Filed under In Character, Roleplay

2 responses to “Myeva, a Rechonchuda

  1. Pingback: Elemental Campaign « Paper Dragon

  2. demonknight

    Mais alguem que tombou perante a Barbarian mais mortal a lutar com um greataxe no chão!

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