O Convite

A campanha de D&D “Echoes of Heroes”, ou Ecos de Heróis, se preferirem em português, teve a sua segunda sessão a 31 de Outubro. A primeira parte da aventura dos nossos heróis pode ser lida aqui. Segue a segunda parte:

Na última sessão:
Quatro anos atrás, perto de Saerun Road, quatro aventureiros foram reunidos para resgatar um Lord Major de Breland. Depois de batalhas com foulspawns e undeads, foram testemunhas de um estranho evento que pintou os céus de laranja e cobriu a terra de nevoeiro, incluindo quem lutava na batalha de Saerun Road e o acampamento para onde iriam voltar. As palavras auspiciosas de uma marca dracónica ressoam nas suas mentes: Four at the brink of the desolation stand as one against the tempest’s roar.

O grupo pretende voltar ao seu acampamento, mas aquele estranho nevoeiro não transmite muita segurança. De onde vem esta névoa? O que aconteceu às pessoas que lutavam em Saerun Road?

The MournlandA história até agora

Pouco depois de despacharem os soldados da Emerald Claw e os seus zombies, Marshal Luk, Bran d’Deneith e um outro soldado cujo nome não ficará para a história, os companheiros do grupo Sentinel Marshals de VII, chegam perto do grupo que recuperava do seu combate. Também intrigado sobre o nevoeiro, Marshal Luk decide ir investigar, pedindo ao grupo para ir também caso ele não voltasse no espaço de uma hora.

Aproveitaram para descansar, recuperar de algumas feridas, passar algum tempo com itens mágicos que tinham recuperado do corpo dos inimigos. Mas hora passada, não havia notícias. O grupo desejava voltar ao acampamento, que estava situado para lá do limite do nevoeiro, e seguiram nessa direcção.

Ao aproximarem-se, era como se andassem para uma massiva parede branca que se extendia para ambos os lados. A vida em seu torno parecia ter parado. Não havia vento ou som. Cheirava imensamente a morte.

Não encontrando o rasto dos seus companheiros, decidiram-se por uma experiência: entrar na névoa. Bran d’Deneith atou a si uma corda e deu a outra metade a VII, pedindo para adicionar outros pedaços de corda quando essa acabasse, e entrou. Viu-se rodeado por um manto branco. Não estava escuro, mas não era possível ver mais que alguns metros à sua volta. Andou, andou, andou. As árvores pelas quais passava estavam mortas, assim como outra qualquer vegetação. À medida que andava, surgiram os contornos de tendas e barracas, um pequeno posto avançado. Havia corpos no chão. As pessoas estavam imóveis, mortas, sem ser perceptível o que lhes tinha tirado a vida. Mas este não era o acampamento de onde tinham partido. Procurando orientar-se e seguir nessa direcção, passou por uma liteira em que os homens que a carregavam pareciam ter morrido antes de tombarem no chão, e por outros que ainda tinham a espada na mão.

Foi quando um sentimento de desespero o atingiu. Num instante, foi como toda a esperança do mundo tivesse sido engolida pela névoa. Bran puxou a corda, assinalando que queria regressar.

Voltaram atrás procurando o rasto de Marshal Luk e o outro colega, seguindo as suas pégadas até uma rocha grande, onde encontraram Luk de volta do outro soldado, que tinha desmaiado após uma breve incursão pelo nevoeiro. Concordaram em seguir para Oakfields, uma pequena aldeia transformada em posto militar, onde souberam de relatos que toda nação de Cyre tinha sido devastada, ninguém sabia como ou porquê.

O grupo acabou por se separar, cada um seguindo o seu caminho.

Quatro anos depois

A guerra acabou. Muitas páginas se podiam encher, e foram de facto escritas sobre o que se passou entre estes dois momentos.

Os nossos aventureiros de uma forma ou outra foram parar a Sharn, a Cidade das Torres. Sariel em busca de qualquer coisa de misterioso, Bran e VII encarregues de entregar um prisioneiro à prisão de Sharn e Vril que trabalha na Universidade de Morgrave, verificando artefactos que chegam das expedições a Xen’drik. Eles recebem um convite de Lord Major Bren ir’Gadden para um pequeno memorial do quarto aniversário do Dia do Mourning, com a nota do agradecimento por lhe terem salvo a vida.

O encontro era na Dalannan Tower, perto da Morgrave University, Sariel e Vril vieram vestidos para a ocasião, Bran e VII mostraram os seus distintivos de Marshal quando o empregado lhes fez uma careta ao olhar para a sua indumentária de aventureiro.

Havia várias pessoas ligadas aos militares entre os convidados, e os aventureiros reconheceram-se entre si, quatro anos passados das suas aventuras no Dia do Mourning. Estava tudo a correr bem, até um monstro envolvido numa estranha névoa, identificado como um Mourning Haunt, um demónio ligado à Mournland, entrou por ali a dentro e começou a envolver as pessoas com a névoa que o rodeava e a sufocá-las até à morte.
VII, Sariel, Bran e Vril, observando a cena da varanda, metros acima, decidiram intervir, entre gritos de pânico de uns e olhares curiosos de outros. VII desceu pelas escadas, indo ao encontro do monstro, os outros descarregaram setas, feitiços ou gritos psíquicos da segurança da varanda.

Foi uma batalha complicada, a névoa tornava difícil acertar no monstro, Vril teve de pedir um crossbow emprestado a uns jovens fidalgos que incentivavam o grupo e VII chegou a ir ao chão dos danos causados pelas dentadas da criatura. Mas depois de vários (muitos) golpes, a névoa desapareceu, e poderam ver a verdadeira forma do monstro, um gorila branco, que não resistiu aos golpes fortes do grupo e tombou, desfazendo-se em fumo.

Lord Major, e o seu assistente ruivo chamado Roger, surgem depois da luta e agradecem ao grupo a derrota do monstro. Ele requisita os seus dotes de Marshals para o ajudar mais uma vez e descobrir de onde veio aquela criatura e quem a teria enviado para ali para matar os seus convidados. Eles reparam no novo assistente, e perguntaram o que acontecera ao antigo, Aric Blacktree, que estava catatónico a última vez que o viram, no dia do Mourning. Desentendimentos com o Lord Major levaram a que seguissem caminhos separados, e Aric já não trabalhava aqui. E isso despertou desde logo as suspeitas dos Marshals e companheiros.

Depois de entrevistar alguns dos funcionários da casa do Lord Major e os convidados sobreviventes em busca de pistas, descobriram o rasto da criatura, pequenos tufos de pêlo branco que se desfaziam em fumo ao toque, que descia para as zonas mais baixas de Sharn, até ao distrito de Center Bridge.

Sharn
Depois de alguns encontros com os locais, e alguns flashes do distintivo de Sentinel Marshal, Bran e Vril (usando uma “carapaça” diferente) separaram-se do grupo procurando pistas. Para além de indicações sobre barulhos estranhos vindos de uma casa e avistamentos de Aric Blacktree em conjunto com goblins, encontraram um grupo de bandidos que achou que eram um alvo fácil. Bem, errado. Os bandidos foram mortos e acabaram despidos numa valeta qualquer.

 

O Jogo

Os Personagens em jogo foram:
Sariel, Eladrin Bard
VII, Warforged Warden
Bran, Human Ranger
Vril Dox, Human Artificer

Nesta sessão introduzi no jogo a personagem Bran d’Deneith, cujo jogador tinha falhado a primeira sessão. A personagem dele tem uma relação com VII, o nosso warforged, que tinha sido planeada antes do início da campanha, durante a criação de personagens, pelo que ele até foi referido durante a sessão 1. Criei um pequeno texto (For Your Eyes Only) para ele se situar (e explicar o que ele tinha andado a fazer enquanto os outros personagens tinham estado a salvar o Lord Major) e fi-lo entrar em cena logo no início da sessão, ainda a party estava a recuperar do combate da última sessão, juntamente com os NPCs que acompanhavam a sua personagem.

Acabei por ficar com NPCs a mais em campo, que acabaram a ficar a falar uns com os outros, o que é um bocado ridículo e pouco interessante, pelo que mandei alguns NPCs “dar uma volta” assim que fosse possível, de modo a que os PCs tornassem a estar no foco da acção.

O jogador atrás do Mikal não esteve presente, pelo que a personagem dele ficou na sombra da acção: a personagem não fez magicamente poof mas sentiu-se “mal disposto” e não participou activamente. Não é a desculpa ideal, mas serviu.

Devido a algumas dificuldades técnicas relacionadas com a impressora e falta de tempo no geral, não pude preparar umas props giras (os convites) para usar como hook no início da parte passada em Sharn, mas as coisas acabaram por se compor.

Nesta sessão houve o primeiro combate com um monstro “solo”, com o qual é preciso ter algum cuidado quando a party não tem os 5 membros “default”.

Também houve o primeiro Skill Challenge, na opção de não oficialmente declarado como skill challenge. Basicamente, fui usando as acções do grupo, e atribuindo checks e DCs conforme o que eles queriam fazer. Funcionou mais ou menos, creio eu. Acho que é mais natural, e mais de acordo com o que os (estes) jogadores esperam do jogo. Anunciar “Isto é um SKILL CHALLENGE; as skills são estas” quebra um pouco a imersão do jogo. É um bom sistema, mas creio que requer alguma prática para usar.

Deixe um comentário

Filed under Dungeons & Dragons, Roleplay

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s