Echoes of Heroes – A Campanha Continua

Apesar de não ter postado os relatos, a campanha Echoes of Heroes continua de vento em popa, tendo completado no último sábado a 14ª sessão. Os nossos heróis estão a nível 3 a caminho de nível 4 e ajudar goblins na sua busca de artefactos e história do antigo império Dhakaani. Mas isso fica para outros posts. O que tem acontecido no jogo?

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O Grupo Actualmente

– Vril Vox, Changeling Artificer Level 3
– Mikal Niltsiar, Changeling Wizard Level 3
– Bran d’Deneith, Human Ranger Level 3
– VII, Warforged Warden Level 3
– Sariel, Eladrin Bard Level 3
– Lo-kan, Goliath Barbarian Level 3

Personagem Convidado
– Moss, Shifter Druid Level 3 (RIP)

Gestão de Jogadores

Quando comecei nesta aventura de correr aventuras de D&D, tinha poucos jogadores, no entanto, dada uma série de situações, nomeadamente o retorno de um amigo de terras distantes do norte e o convite ao meu namorado para se juntar a nós durante as suas férias, cheguei a ter 7 (sim, SETE) jogadores à mesa e é o CAOS! Com tanta gente à mesa, é dificil manter toda a gente concentrada no jogo, há mais distracções e conversas paralelas. É sobretudo difícil de gerir quando cada um quer fazer uma coisa diferente, algo que não será tão incomum assim quando o grupo se encontra na cidade.

Por outro lado, ter uma “pool” de sete/seis jogadores significa que a hipótese de sessões canceladas será menor, recompensando quem tem maior disponibilidade e interesse no jogo. Não há nada mais chato que reservar o dia para jogar D&D e depois o jogo ser cancelado por falta de jogadores, em cima da hora. Eu sei que a mim me chateava imenso…

Adaptar encontros à falta de jogadores

Não é segredo nenhum que estou a correr aventuras pré-feitas na minha campanha. Os motivos estendem-se desde 1) as aventuras já estão feitas o que levaria a menos tempo de preparação para cada sessão (o que não será inteiramente verdade) 2) confiar em “profissionais” para fazer aventuras divertidas e interessantes. No entanto estas aventuras são feitas a pensar em 5 jogadores/personagens e à minha mesa esse número varia entre 4 e 6 (ou 7). Correr os encontros directamente “da caixa” poderia ser perigoso já que, em quarta edição, os combates são pensados de maneira diferente que em edições anteriores (ou seja, 5 jogadores para 5 monstros), então é preciso “patchar” os encontros para funcionarem da melhor forma.

No entanto, por vezes não basta tirar monstros quando faltam alguns jogadores. Houve algumas sessões em que não havia nenhum striker em campo, e o nosso Defender (S.) disse logo que iria ao chão nessa sessão. E ela tinha razão. Existem algumas regras que é preciso ter em conta, e tento seguir:
– Quando não há strikers, não abusar de monstros “brutes” ou elites, porque eles têm muito HP e não os personagens de dão dano aos magotes não estão cá para os ajudar a tombar;
– Quando não há controller, não abusar de minions. Minions são fixes para tornar um combate animado com montes de monstros em campo, no entanto, para além dos jogadores terem tendência para os identificar por metagaming (e se não os identificarem, pode acontecer gastar um daily com um minion, o que não é de todo simpático), a ausência do controller faz com que ainda demore algum tempo para que grandes número de minons vão ao chão.

Gestão de Combate

Em Quarta Edição metade dos poderes usados em combate dão bónus ou penalidades a aliados e inimigos, coisinhas como -1 ao dano até ao fim do próximo turno ou +2 a todas as defesas até ao início do próximo turno. Isso é tudo bué fixe (toda a gente gosta de bónus nos amigos e penalidades nos monstros) mas é o coitado do DM que se tem de lembrar de isso tudo. Adicionando a isso auras e habilidades especiais e xpto, que muitas vezes eram esquecidas, tornando um combate demasiado fácil ou demasiado bleh! (é difícil explicar o que é o bleh!… basicamente é chegar ao fim e ficar insatisfeito com o desenrolar da situação), eu ficava altamente frustrada!

Ao principio eu usava as caixas de cores para indicar status e anotava numa folhinha o dano aos monstros, consultando o livro da aventura para habilidades e auras e a verdade é que não funcionava muito bem. As marcas de cores são fixes, mas precisam de uma legenda para saber o que cada coisa quer dizer, quando acaba e que é preciso rolar um save no fim do turno!

Combat Manager

Decidida a melhorar, pesquisei na Internet por ferramentas para ajudar a gerir o combate, e encontrei várias mas das que experimentei o melhor foi o Combat Manager. Gente mais inteligente que eu já fez reviews sobre a ferramenta e eu experimentei durante várias sessões e sim, ajuda imenso. Permite preparar os combates antes do tempo, muito facilmente usando as Adventure Tools da WotC, em que basta copiar os monstros lá para dentro, e as fichas de personagem do Character Builder, e guardar cada encontro em formato xml. É fácil adaptar encontros existentes para o número de jogadores em campo on the fly, ou inventar os teus próprios encontros. A ferramenta calcula o xp envolvido e o nível do encontro, dependendo do número de PCs seleccionados.
Em jogo, permite adicionar status e bónus, assim como gerir HPs e habilidades de encontro e recarregáveis e pergunta no fim do turno sobre os saves a qualquer status com “save ends”.

É uma boa ferramenta, mas depois de várias sessões não me deixou satisfeita. Visto ser uma aplicação a correr no portátil, ao lado da mesa, eu tinha que estar sempre a passar do portátil para o contexto da mesa e parecia que passava o tempo a actualizar o combate no PC em vez de estar a correr o combate na mesa. Sentia que estava a perder qualquer coisa. Podia por o portátil directamente atrás do DM screen, mas isso roubava-me espaço para todas as tralhas que lá tenho (livros, aventuras, marcas, dados, bloco de notas, etc).

Apesar de ajudar muito a lembrar de efeitos e bónus, na transição mesa-computador e vice versa acaba sempre por escapar qualquer coisa (apesar de nunca me ter esquecido novamente de um save). Senti que era preciso outra coisa.

Initiative Trackers

Há tempos atrás tinha lido uma coisa curiosa num dos blogs que costumo seguir de como o DM geria iniciativa colocando pequenas fichas com os PCs e Monstros no DM Screen. Aceitando o output do meu namorado (guest Character Moss) que também achava que mostrar a ordem de iniciativa a todos os jogadores permitia que soubesse quando estava quase a ser a sua vez e permitir pensar na sua próxima acção e estratetizar as suas acções em função das habilidades dos outros jogadores.

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Com papel de várias cores, marcadores e tesoura implementei a situação. O computador deixava de ser essencial, e não faria sentido gerir a mesma coisa no PC e no DM Screen, pelo que voltei à folhinha de notas para anotar dano e iniciativa dos monstros. Este sistema ainda só tem 2 sessões, no entanto os jogadores gostaram imenso. Não só eles vêem a ordem de iniciativa, como também visualizam os efeitos neles e nos monstros, sendo mais fácil para eles se lembrarem e para lembrarem a mim quando eu me esqueço. O ponto negativo? Bem, os combates demoram bem mais tempo a preparar, mas é capaz de valer a pena. Estou mais focada e concentrada, visto ter tudo à minha frente e os jogadores até gostam da ajuda visual.

Primeira Morte à mesa

Moss, personagem convidado foi a primeira morte em campo, por strike out (ficou inconsciente no chão e falhou 3 death saves). Na última sessão, o mesmo aconteceu a Vril. Estas mortes não aconteceram por grandes quantidades de dano dadas de repente, mas sim, ronda após ronda de dano nestes personagens, que, assim que VII, o nosso defender, vai ao chão, eles perdem o seu “escudo” protector. Sem ninguém para levar dano por eles, eles estão mais susceptíveis de tombar no chão. Curiosamente, em ambas as situações o personagem ainda não tinha usado o seu Second Wind (poder de encontro que permite gastar uma Healing Surge para se curar). O Second Wind requer uma standard action, o que faz com que nessa ronda não seja possível também atacar, sendo por esse motivo que acaba por não ser usado nestas situações limite. Os jogadores preferem sempre dar dano… mas às vezes não fica ninguém de pé que os possa curar facilmente…

Sei de DMs que permitem que o Second Wind seja usado como Minor Action, valerá a pena incluir essa House Rule?

House Rules

House Rules ou regras da casa são alterações efectuadas às regras como escritas nos livros de forma a melhorar, do nosso ponto de vista. Tirando algum engano na interpretação de regras, e muitos aconteceram no principio, e alguma decisão no momento devido a dúvida ou regra menos clara, tenho seguido os livros o melhor que posso. Até agora apenas uma excepção:

Cálculo de XP: devido a ter muitas faltas de comparência de jogadores, há personagens que conseguem algum avanço significativo em termo de XP, no entanto não é do interesse do jogo que haja uma diferença muito significativa em termos de níveis de jogadores. Para além de dificultar a criação de encontros desafiantes, irá tornar que alguns jogadores sejam demasiado fortes ou fracos para o encontro em questão. Não existe nenhuma forma standard nas regras de tratar esta situação. No DMG e DMG2 é referido que ou se dá sempre o mesmo xp a todos os personagens, quer os seus jogadores estejam presentes ou não, ou ajustar manualmente o xp quando o jogador volta às sessões. Eu arranjei outra solução, o XP é sempre calculado normalmente, até que haja diferença de níveis. A partir daí, quem está abaixo do nível máximo da party recebe XP a dobrar dos encontros até chegar ao limite do nível do membro de nível mais alto da party. Por exemplo, o Bob e o Mike estão nível 3 mas a Meg ficou nível 2 por ter faltado a duas sessões. No próximo encontro, dava 100 xp a cada um, mas a Meg recebe 200xp para se aproximar mais depressa do nível em que estão Bob e Mike. Quem é mais assíduo continua a ser beneficiado, subindo de nível mais depressa, mas o atraso de quem não vem a todas as sessões deixa de ser tão pronunciado.

A História prossegue

Muito resumidamente, os nossos aventureiros recuperaram um pedaço de artefacto do túmulo do goblin Ashurta, a Blade of Ashurta, e descobriram que fazia parte de um artefacto maior, a Ashen Crown. Existem vários adversários interessados na lâmina, desde Elfos, Emerald Claw e várias facções de goblins, a uma das quais o grupo se tornou aliado, os Wordbearers. Neste momento, nas profundezas de criptas e túmulos por baixo das Graywall Mountains, o grupo procura mais um pedaço da Ashen Crown. A aventura continua na próxima semana (e se tudo correr bem, relatos do que aconteceu e acontecerá irão surgir aqui no blog).

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9 comentários

Filed under Dungeons & Dragons, Roleplay

9 responses to “Echoes of Heroes – A Campanha Continua

  1. Interessante análise.

    Uma questão “inocente” (se é que tal existe): com tantos problemas motivados por 4ª edição, porque optaram por “evoluir” para 4.0 em vez de continuar em 3.5?

    Há algumas questões que me deixam perplexo com as regras de 4.0, desde logo coisas como “não havendo striker no grupo, alguém vai ao chão” e a quantidade de modificadores absurda…

    Só o simples facto de ter que existir um programa de computador para fazer a gestão do combate… isso não arruína tudo o que D&D deveria ser na essência?

  2. 3.5 também tem os seus problemas e 4e não é só problemas, de certo poderás encontrar a análise de 4e vs 3.5 noutros sites. Em relação à questão da inexistência de striker, isso causa que o dano total do grupo diminua e deverá fazer-se um pequeno ajuste ao encontro para ter isso em conta. Ajustar encontros em função do número de jogadores não era incomum em 3.5, sendo em quarta edição até mais fácil. Em relação a usar o computador, eu não fiquei satisfeita com a experiência e decidi usar um método analógico para lidar com a situação.
    3.5 não era alheia a bónus (bless + bull strength + bear endurance + what not), sendo que a dificuldade estava em gerir a duração dos buffs/penalidades mais que os bonus em si. No entanto também tinha os seus problemas.

    O que é a essência de D&D? Se o computador ajudar na gestão das regras, então o DM e os jogadores podem concentrar-se noutros aspectos do jogo como a narrativa ou o roleplay. Comigo o programa de gestão de combate não funcionou bem, mas há outros DMs que o preferem.

  3. Famine

    Bem, quanto as mortes acho que se devem a falta de experiência dos jogadores com 4E. Na minha experiência a jogar 4e, um bom lider consegue resolver bem as capacidades de cura dos restantes membros da party. No entanto um Hels check DC 10 por um membro da party a um personagem inconsciente que ainda n tenha gasto o second wind, deixa-o usar esse poder. Claro que isto é uma standard action, mas há uma feat que deixa fazer isto como minor, e dá +2 em heal checks.
    Quanto ao defender, tem que pensar que usar o second wind para ele é também uma benece pois além de ser o escudo da party e ir receber alguns preciosos hit points em vez de dar uma quantidade de dano irrisória, vai melhorar as suas defesas durante um tirno.
    Just my two cents, e gostava de vos vem em Coimbra para o D&D Game day do Tá Quinas

    Fiquem bem.

  4. Famine

    Olá outra vez… Gostava de te Convidar a ti e á tua Party a aparecerem no D&D World Game Day organizado pelo Tá Quinas, no dia 20 de Março em Coimbra.

    Apareçam, que vai ser giro.
    para quem ainda não nos conhecer deixo o link

    http://taquinasblog.blogspot.com/2010/03/d-world-game-day-20-marco.html

  5. Ravhin

    Isso da falta de experiência com 4e tem que se lhe diga. Nós até andávamos a usar alguns poderes incorrectamente (para nosso beneficio😛 claro que não era de propósito ).

    Depois depende se queremos fazer um estilo de jogo de min max, ou personagens que não sendo ideais, são os que queremos jogar.

    Fizemos tudo o que podíamos para evitar casualidades ? Talvez não, mas sinceramente na situação onde estávamos não vejo nada que pudéssemos ter feito (sem recorrer a pesadíssimo metagaming e info que só tivemos depois do encontro) para que o combate corresse significativamente melhor.

  6. Famine

    Quanto ao estilo de jogo min max… A 4ª edição vem pensada muito nesses termos, mas é remediavel. No entanto o combate nesta edição é mais táctico do que na sua anterior versão. Como já disse o second wind é muito necessário para manter os membros da parety de pé. A menos que o DM tenha feito um encontro de um nivel muito superior ao da party, que não me parece o caso, deviam ter conseguido dar conta disso.

    De qualquer forma gostava de continuar esta discussão e partilhar experiência de jogo pessoalmente. Não têm hipotese de aparecer em Coimbra para o Game Day? ou vão joar aí em Lisboa algures?

    Abraços

  7. Ravhin

    Estamos a planear ir a Coimbra sim !

  8. Josue B. Reis

    Moça do PaperDragon…

    Tmb não me dei muito bem com o programa de gestão de combate, talvez por minha inexperiencia com D&D4e e com o idioma gringo.
    Dei uma olhadinha nos sites que você me recomendou. Infelismente um deles tinha sido deletado recentemente, e tinha pouco material. Mas o TRAMPOLIM RPG tá me ajudando bastante😉
    Andei dando uma olhada nas fotos da campanha que tu postou no flikr, e vi que tu usas umas minis feitas de papel dobrado (parece) com uma imagem de personagem por cima…
    Você poderia me ensinara fazer as tais miniaturas de papel?
    Já tentei aquelas miniaturas dobre-e-encaixe em forma de triangulo… mas não funcionaram do jeito que eu queria… e as minis originais tão fora de cogitação para meu grupo… dá essa ajudinha para um mestre iniciate (porém esforçado e interessado!!) em D&D4e

    \o/

    valew pela dica dos sites!

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